My life is brilliant and my love is pure.
Filosofia

My life is brilliant and my love is pure.


encontrado em pinterest.com 
Querida Sofia, 
Gosto da minha vida neste momento. Gosto da disciplina que me confere. Gosto do facto de acordar todos os dias antes do meu despertador, algures entre as 6 e 15 e 6 e 45 da manhã. Gosto do meu primeiro gesto ser, com o olho semi-aberto (ou semi-cerrado, tu escolhes), esticar o braço e clicar no botão “Rádio” do meu leitor de iPod e acordar com música trenga e oh-tão-comercial da NRJ Radio (a ler èèèèè-ner-gy). Gosto de entrar ali numa batalha comigo própria, numa negociação na qual sou a refém, a negociadora e a terrorista, os três ao mesmo tempo. De um lado, uma voz diz-me “ok, levanta agora”, outra voz lança “não, só mais dez minutos na cama” e uma terceira atenua “não, só mais cinco minutos e depois é a correr”. Gosto de ter-me dado como noção de tempo as músicas que tocam. Duas músicas no duche, uma música para vestir, duas músicas (ou mais) para me maquilhar, umas três músicas para domar a juba de leão. Normalmente, quando isto acaba, já vou pelas 7 e 55. Gosto dos dois minutos que me dou para tirar uma dezena de fotos para, de seguida, pegar  no casaco, no guarda chuva e na écharpe do dia e descer as escadas do prédio a correr. Gosto de dizer “bonjour” ao meu porteiro, e ele responde-me “ça va?” com um sotaque e um sorriso bem português. Gostei, hoje de manhã, quando saí de casa desse jeito, com cinco vestidos na mão, para deixar na lavandaria, que abre às 8 em ponto, frente à minha casa. Gosto do facto da menina já saber o meu nome, ser portuguesa (tal como o porteiro) e falarmos em francês. Gostei de ir para a paragem de autocarro, não ver quanto tempo demoraria para chegar o próximo bus, pegar o iPhone e os auscultadores e pôr a minha música aos berros. Gosto quando toca a música “ça m’énerve”, no qual o cantor diz que lhe irritam as pessoas que ouvem música aos berros. Gosto que isso me faça sorrir, pela ironia. Gosto de entrar no autocarro e ficar ali apertadinha, pois não há espaço para avançar, e dizer bom dia ao chauffeur que é quase sempre o mesmo, visto que sou, nisso, oh-tão-pontual. Gosto de chegar à estação em dez minutos, apanhar o expresso que demora sete a chegar à Opéra Garnier. Gosto dos cinco minutos que caminho entre o Printemps e as Galeries Lafayette antes de chegar ao meu destino. Gosto das ruas que são, durante as horas de ponta, as mais movimentadas da cidade, que fazem do Boulevard Haussmann um lugar quase asqueroso e pavoroso durante o dia, mas que são de um sossego e paz de manhã, tremendos, para apenas alguns traseuntes como eu, a caminho do trabalho, ou para os que limpam estradas. Gosto de chegar ao Starbucks, que tem uma barista americana que sorri de manhã, grita a bebida (aqui é proibido dizer o nome em público ou escrevê-lo, ao contrário dos Starbucks nos USA), e eu ergo o meu braço. Gosto de apenas fazer trinta passos (SIM, CONTEI) entre o Starbucks e o trabalho, onde sempre procuro o cartão magnético para entrar na confusão do meu saco. Gosto de, apesar da mão ocupada com o cartão e a bebida quente, ainda pegar em duas garrafas de água e um actimel antes de apanhar o elevador. Gosto de esperar o elevador, e ver os spots publicitários dos produtos da empresa, de todos os países do mundo. Gosto de apanhar um dos seis elevadores, pois tem um espelho enorme – que não tenho em casa – e chegar ao meu andar, um open-space descomunal, no qual, pela única vez do dia, reina o silêncio. Gosto de poisar toda a tralha por cima do meu escritório, dizer “bonjour” a quase ninguém pois as pessoas só chegam uma hora mais tarde, sentar-me, ligar o laptop e ver se recebi e-mails. Gosto dos golos de silêncio e os suspiros de café com leite que sinto, e o sorriso que me faz ter a certeza que este vai ser mais um dia de trabalho que vai valer a pena. Gosto tanto disto tudo que sinto, do valor que aqui tenho, do respeito que se sente, o conforto da vida, a leveza do ser, e o cálcio gratuito. Olho o relógio e são 8 e 45. E reitero que gosto mesmo muito da minha vida neste momento. 



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