...porque tu és o meu equilibrio instavél...
Filosofia

...porque tu és o meu equilibrio instavél...


Querida Sofia,
Aprendi a relativizar (quase) tudo na minha vida. Aprendi a ser feliz com os meus defeitos. Aprendi a aturar o mau feitio das pessoas que me rodeiam. Aprendi a satisfazer-me do que posso (ou não) ter. Aprendi a ter perspectivas reais, equilibradas e atingiveis sobre o que quero para a minha vida e o meu futuro. Estava tudo a ir muito bem... até que alguém me mostrou que o fruto proibido não era nada mau. Que até me podia fazer ter a tentação de querer prová-lo. Que podia parecer inatingivel mas que existia. Exibiu-se com toda a sua graça e o seu brilho para cima de mim. Fez-me tremer só de pensar o que seria a tal de fruta mais perto de mim. Eu antes recusava-me completamente a querer aquela maçã. Porque me faria mal. Porque nos faria mal. Porque eu queria manter a todo o custo o meu equilibrio. Queria continuar a ser a pessoa que - demorei - mas aprendi a ser. E que lutei incansavelmente para finalmente ser. "Mas só uma dentadinha... somente uma dentadinha na maçã... vais ver, não faz mal..." mas faz, oh que faz. E entro numa história de valsa estúpida dentro da minha cabeça. Eu e o fruto proibido entrávamos numa dança única que me fazia levitar. Que me fazia ter tonturas. Tonturas das boas. Tonturas que me faziam querer ir mais longe e querer provar além. Sentia perder a cabeça, sentia-a girar ao contrário e perder o sentido de orientação do sangue nas minhas veias. Ponderava na minha mente desvairada se possuir a fruta valia realmente a pena. Porque dizem que não se deve tocar nela. Que deve ficar onde está. Sinto-me como num carrossel, baloiçando de cima para baixo. Tudo isto para saber se essa dentada realmente vale a pena e merece o alto preço do seu sabor. Tenho medo de avançar para ela e desistir de tudo o que já conquistei. Tento dizer-me que posso dar uma dentada e depois voltar à minha vida mas sei que não vai ser assim. Porque no fundo, a tal de fruta dá-me equilibrio.
O equilibrio mais instavél que jamais senti na vida...
...é como sentir que se tem os pés assentes na terra com a cabeça para baixo. Quero tanto a maçã e mordê-la com toda a minha garra. E ao mesmo tempo apetece-me gritar "anda, pega-me, segura-me, leva-me contigo, vem à minha mão, vem à minha boca, entra no meu corpo e fica comigo, guarda-te dentro de mim". Olhei para mim propria e fiquei segura de que eu não podia voltar a ser a pessoa que hesitava, que não sabia o que fazer ou que pensar. E porque na vida há pontos de não retorno que precisamos por vezes saber atravessar, eu - decidida - avancei, agarrei o fruto proibido para fazer... a melhor das tartes.
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